É envolto em emoção e alegria que o recebo neste, também seu, espaço de opinião.
Aqui não se faz política. Não se põe em causa o bom-nome de personalidades e ou instituições.
Este espaço reveste-se apenas da importância para a publicação de opiniões construtivas acerca do desenvolvimento desportivo na região, com incidência em Marco de Canaveses.
Disponha!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

NO DESPORTO, CULTIVAR OU CONSTRUIR

Decorria Agosto de 2006, quando a nossa terra, Marco de Canaveses, foi presenteada com a publicação e distribuição do exemplar n.º 1 de “Marco de Canaveses – Revista Municipal”. Naquela, páginas coloridas decoravam momentos de celebração e pavoneio.


Na página n.º 10, podemos ler que havia tomado posse o Conselho Municipal do Desporto em 08 de Abril de 2006, o qual de entre outras apresentava como competência a “definição e elaboração da Carta Desportiva Municipal”, assim como “incentivar a prática desportiva sobretudo entre as camadas jovens”.

Decorridos quatro anos, não dias, semanas ou meses, mas sim quatro anos, temos???

Temos construções sem portas de esperança nem janelas de oportunidade, para os jovens naturais e residentes em Marco de Canaveses.

O construtor empenha-se no projecto e edificação de grandes obras. Orgulha-se com o seu crescimento e celebra a sua conclusão, cruzando os braços admirar o que acaba de conseguir. Seguidamente vira costas e parte para nova construção ainda mais vistosa, deixando a que acabara a degradar-se com o tempo.

O lavrador conhece a terra, os melhores momentos para a sementeira e todo o processo para a ver frutificar. Empenha-se na escolha da melhor semente, no seu lançamento à terra, cuida e prepara cada instante do seu crescimento, não permite que algo lhe falte enquanto cresce. Celebra cada passo até à frutificação. Em momento algum cruza os braços. Em momento algum vira as costas e parte para nova sementeira. Antes pelo contrário, colhe o fruto do seu empenho e prepara nova sementeira, escolhendo novamente as melhores sementes.

As Associações Desportivas sedeadas em Marco de Canaveses necessitam de lavradores e não de construtores, pois estes já tiveram a sua oportunidade e deixaram ruir grandiosas obras que haviam construído.

Na época desportiva 2009/2010, finda a 30 de Junho, queimaram-se sensivelmente 168.000,00 (cento e sessenta e oito mil euros) em oito Associações Desportivas para jogar futebol federado. Frutos de tal queimada?

Enterram-se sensivelmente 45.000,00 (quarenta e cinco mil euros) em cinco Associações Desportivas para jogar futsal federado. Colheita de tal enterro?

Onde estão os escalões de formação nas cerca de quinze Associações Desportivas financeiramente subsidiadas pelo Município em sensivelmente 260.000,00 (duzentos e sessenta mil euros) anuais? Qual a discriminação positiva para com as que os têm? Onde encaixam as Associações Desportivas que não podendo jogar federadas, também lutam pela sobrevivência no Concelho?

Onde está o projecto? Onde está a sementeira? O entendimento entre Associações Desportivas Marcoenses? A conjugação de esforços para a valorização das Associações Desportivas Marcoenses e por consequência do desporto concelhio?

Não temos colheitas, pois nada foi semeado! Em Marco de Canaveses apenas se constrói, pouco e mal, no que diz respeito a desporto.

MAS HÁ ALGO!

Temos “Marco de Canaveses – Revista Municipal” #3 – Abril de 2009, páginas 5, “…É isto que queremos para o Marco de Canaveses, reafirmando assim a aposta da actual Câmara Municipal no desporto para todos, com principal incidência na formação desportiva das camadas jovens, para uma cultura desportiva na nossa terra…” (citando o discurso do Ex.mo Sr. Presidente da Câmara aquando da visita de sua Excelência, o Ex.mo Sr. Presidente da República a Marco de Canaveses).

Temos “Marco de Canaveses – Revista Municipal” #4 – Setembro de 2009, página 27, “Desporto para todos no Marco de Canaveses”, fotografias de acontecimentos desportivos pontuais. Trabalho pontual para colheitas imediatas pois a imagem venderá!

Temos um regulamento de apoio ao associativismo aprovado em assembleia municipal e publicado em Diário da República, desajustado da realidade actual pois no seu artigo 12.º, n.º 1, alínea b) estabelece que as candidaturas aos demais programas naquele estabelecidos devem ser entregues até 30 de Junho para as associações que se rejam por temporadas, obrigando algumas associações a formalizar candidaturas para uma nova temporada com a actual ainda em curso, como se isto fosse possível.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (www.ine.pt), Marco de Canaveses no ano de 2009, apresenta 10.013 jovens com idades até aos 14 anos, 7.640 jovens com idades entre os 15 e os 24 anos. Onde estão? O que fazem? Quais os projectos Associativos Desportivos onde se inserem?

Continuo a perguntar, onde está o projecto que justifique o investimento do dinheiro de todos nós em prol de alguns? Onde está a badalada Carta Desportiva Municipal enunciada em Abril de 2006 que dê respostas a TODAS as Associações Desportivas Marcoenses?

Não esqueçamos que o passado é um dia de desempenho no futuro!

Deixem-se de construções e passemos ao cultivo!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

No Desporto, Construir ou Cultivar

Próxima edição do Jornal A Verdade – sexta-feira 20 de Agosto de 2010 – artigo de opinião sob o título "NO DESPORTO, CONSTRUIR OU CULTIVAR?"

Até lá, estamos em pleno mês de Agosto, mês de festas e romarias, com inúmeras procissões, algumas bem bonitas. Pena que campo desportivo as procissões se estejam a fazer sem andores, palio e porta estandartes, mas alguém sabe de certeza o porquê.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Frutos Desportivos

Ex.mos Sr.s, vejamos os frutos da política desportiva desenvolvida no Concelho de Marco de Canaveses;


Foram efectuados investimentos no Grupo Desportivo da Feira Nova – Ariz, para remodelação das instalações desportivas. Qual a prática desportiva desenvolvida por aquela associação? Não joga federada, não joga nos campeonatos amadores. Apenas abre as portas duas vezes por semana para aulas de ginástica.

Foram efectuados investimentos no Núcleo Desportivo e Recreativo Vilaboense – Vila Boa do Bispo, para remodelação das instalações desportivas. Qual a prática desportiva desenvolvida naquela associação? Não joga federada, não joga nos campeonatos amadores. Não tem actividade!

Esta época – 2009/2010, foram efectuados melhoramentos nas instalações desportivas da Associação Desportiva, Recreativa e Cultural de Sande – Quinta dos Agros. Esta Associação encontra-se inscrita nos campeonatos distritais de futsal feminino, qual o uso do campo de futebol onde os melhoramentos foram efectuados, visto que este ano não haverá campeonato da LIMFA (futebol amador no concelho)?

Acta da Reunião Ordinária da Câmara Municipal de 03/09/2009
Página 4, alínea d) “Atribuição de um subsídio de 5000 euros à Associação Desportiva e Cultural de Várzea do Douro para a remodelação das suas instalações desportivas.”.
Página 18, ponto 51, “deliberado por unanimidade atribuir o subsídio proposto pelo Sr. Presidente.”
Acta da Reunião Ordinária da Câmara Municipal de 24/09/2009
Página 8, alínea o) “Atribuição de um subsídio mensal de 1600 euros à Associação Desportiva e Cultural de Várzea do Douro, com efeitos retroactivos a 1 de Julho de 2009 e até 30 de Junho de 2010.”.
Página 17, ponto 44, “deliberado por unanimidade atribuir o subsídio proposto pelo Sr. Presidente.”

Recentemente esta associação fechou portas alegando falta de apoios financeiros, não se tendo inscrito nos campeonatos distritais da Associação de Futebol do Porto.
Outros casos há;
Associação Cultural Recreativa Desportiva de Paredes de Viadores;
Associação Desportiva, Recreativa e Cultural de Sobretâmega;
Associação Desportiva, Recreativa e Cultural de Tabuado;
Grupo Desportivo de Tabuado

São já imensas as Associações Desportivas sem actividade neste concelho fruto dos gastos efectuados com as participações nos campeonatos distritais cujos custos são elevados e comparticipados em grande parte pela autarquia, deixando outras sem qualquer apoio, quer logístico quer financeiro.

Falta trabalhar na Carta Desportiva Municipal enunciada em Abril de 2006 , criando as condições condignas para a realização de campeonatos de futebol/futsal amadores, impondo regras para a participação concelhia nos mesmos, tendo como exemplos gratificantes os concelhos de Penafiel e Póvoa de Varzim, verdadeiros defensores e dinamizadores do desporto concelhio.

O poder está nas vossas mãos.
 
Endoçado ao executivo municipal da Câmara Municipal do Marco de Canaveses.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

ARTIGOS DE OPINIÃO

batemos no fundo do poço…
A actualidade económica vivida na União Europeia, agravou ainda mais a situação sentida em Marco de Canaveses, que recentemente viveu mais um episódio negro com a penhora de um milhão de euros, vindo dificultar ainda mais a viabilidade financeira do Município e por consequência o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Associativo. Os optimistas dirão o contrário, falarão de um pseudo problema, de uma obrigação a ter de ser mantida por parte da autarquia. Os realistas, sabem que estamos a viver um dos piores, senão o pior momento financeiro na localidade.
Aceder ao sítio da Internet da Câmara Municipal, www.cm-marco-canaveses.pt/, pesquisar no separador Município/Desporto/Plano Desportivo Municipal, “Dinamizar o desporto Marcoense…para garantir um futuro saudável”. E? Como?
Fala-se à boca cheia de projectos federativos, não se sabe se com ingenuidade ou com ridícula convicção. Contam-se pelos dedos de uma mão os reais projectos desportivos deste Concelho, (para não falar dos “inexistentes” equipamentos desportivos municipais). Aqueles que compreendem a formação de atletas desportivamente aptos, socialmente disponíveis e academicamente responsáveis. Aqueles que não são meras tentativas de dirigentes cheios de vontade de gerar a ira rival num mano-a-mano a ver quem consegue ter mais escalões, sinal de maior apoio financeiro Municipal. Pouco importa se treinam uma vez por semana, se jogam em terra batida, num ringue de cimento, à chuva, se os treinadores foram pescados no ranking-dos-adeptos-ou-familiares-que-vêem-mais-jogos. Perfil táctico-técnico e humano adaptado à cultura do clube e aos seus objectivos a médio/longo prazo? Modelo de jogo? Para quê? O que importa é ter mais e mais e mais! “Como” é uma palavra que neste caso não passa disso mesmo, duma palavra – e por sinal bem desinteressante!
Clubes que deixam “morrer” modalidades, quando são estas que lhes elevam o nome bem alto a nível nacional, as mesmas que lhes trazem a tão desejada televisão à terra.
Qual é o espanto perante este estado das coisas quando o “exemplo” vem de cima? Quando, em plena crise económica se continua a subsidiar tudo e todos, sem preocupação de formação, como se dali “frutificasse” o atleta, o homem, o cidadão verdadeiramente e eficientemente formado.
A ilusão está a acabar ou mesmo acabada. O vício federativo requer inúmeras condições sócio-económicas e desportivas insuportáveis pela maioria das Associações Desportivas deste Concelho.
Admitir, meramente por hipótese, reformular o Associativismo Desportivo em Marco de Canaveses, com uma esquematização de prioridades, a verdadeira pirâmide, colocando no topo aquela Associação Desportiva na qual todos se revejam, a que levará mais alto e mais longe o nome de Marco de Canaveses, estando todos os outros na retaguarda, a formar de forma conciliada atletas e demais agentes desportivos. Utópico? Talvez, se tivermos em consideração que há, acima de tudo, demasiada gente mal-formada e incompetente em cargos que lhes deveriam estar vedados. Um reflexo, talvez, de um problema geral da sociedade portuguesa, mas que mesmo assim não deixa de ser preocupante e não nos pode deixar optimistas para o que aí vem. O Associativismo Desportivo Marcoense precisa de líderes, de reunir o melhor que há no Concelho (e são inúmeros). De reunir competência. Táctica, técnica, psicológica. Científica, filosófica e metodológica.
O sucesso desportivo de um Concelho depende da sua capacidade para reunir, nas suas elites, figuras inspiradoras, capazes de traçar e executar planos estratégicos que influenciem positivamente o povo. Quando se vê uma tamanha falta de qualificação – científica e humana – dos quadros dirigentes e técnicos, não é de estranhar que continuemos a ter, nos próximos anos, inúmeros atletas que podiam ter sido jogadores. Na verdadeira acepção da palavra.
Não tenhamos medo de o admitir: batemos no fundo do poço. E ao que parece, vamos continuar a descer.
Emanuel Moreira

sexta-feira, 11 de junho de 2010

ARTIGOS DE OPINIÃO

Marco de Canaveses e o futuro desportivo das colectividades desportivas locais.
Actualmente o desporto assume uma enorme importância na vida das sociedades, importância essa que está em conformidade com a forma como as sociedades encaram outros valores essenciais da vida do cidadão, como a educação, a liberdade, o emprego, a igualdade, a saúde, a qualidade de vida.
Os factores actuais, de ordem endógena e exógena às politicas desportivas apontam, cada vez mais, no sentido de o Desporto se assumir na plenitude do seu valor cultural e formativo, e constituir-se como meio essencial ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de todas as componentes da personalidade humana.
Terá sido no decurso do ano de 1966, no “Conselho da Europa” que se formulou o conceito de «Desporto para Todos». Foi criado com o objectivo de uma educação incessante e para o desenvolvimento cultural, proporcionando a um maior número de pessoas a oportunidade de colher benefícios da participação no desporto, ou seja, o «Desporto para Todos» visa democratizar a prática desportiva, resulta da sua segmentação, surgindo relacionado com formas individuais da actividade desportiva. O modelo do “Desporto para Todos” não se afirma contra o Desporto Federado, nem rejeita a competição. No entanto, assume um outro significado, pois o que interessa salvaguardar é o indivíduo em si e não o resultado.
Em relação aos apoios não se pretende que estes sejam retirados ao Desporto Federado para serem atribuídos ao Desporto para Todos, mas sim que o Desporto Federado não seja a única estrutura a ser apoiada.
A Constituição da República Portuguesa, na Lei Constitucional refere “Todos têm direito à cultura física e ao desporto”…“Incumbe ao Estado, em colaboração com as escolas e as associações e colectividades desportivas, promover, estimular, orientar e apoiar a prática e a difusão da cultura física e do desporto, bem como prevenir a violência no desporto”. Desta forma, estes dois pontos deveram ser encarados como as linhas mais gerais que devem ser seguidas pelas autarquias, entidade mais local, no âmbito de um correcto desenvolvimento desportivo.
Ainda na Constituição encontramos o título VII que diz “Compete à assembleia da autarquia local o exercício dos poderes atribuídos pela lei, incluindo aprovar as opções do plano e o orçamento” demonstrando aqui a importância da autonomia das autarquias no desenvolvimento adequado de plano de desenvolvimento.
No que diz respeito ao Sistema Desportivo o principal instrumento legislativo é a Lei de Bases do Sistema Desportivo. Nesta pode ler-se “A presente lei estabelece o quadro geral do sistema desportivo e tem por objectivo promover e orientar a generalização da actividade desportiva, como factor cultural indispensável na formação plena da pessoa humana e no desenvolvimento da sociedade.”…“O sistema desportivo, no quadro dos princípios constitucionais, fomenta a prática desportiva para todos, quer na vertente de recreação, quer na de rendimento, em colaboração prioritária com as escolas, atendendo ao seu elevado conteúdo formativo, e ainda em conjugação com as associações, as colectividades desportivas e autarquias locais”.
Dado o exposto e consultando os editais das Assembleias Municipais deste Concelho, verifica-se a ausência de referências ao Associativismo Desportivo e quando estas aparecem são simplesmente para fazer referência aos subsídios atribuídos.
Analisando o orçamento para o ano financeiro de 2009, lê-se no título “Desporto e Lazer”, incluída uma verba de sensivelmente €689.000,00 (seiscentos e oitenta e nove mil euros). Findas que estão a quase totalidade das épocas desportivas 2009/2010, é tempo de se fazer o balanço dos investimentos realizados. Espante verificar que quatro colectividades desportivas com vertente futebol e sem qualquer escalam de formação, auferiram em subsídios municipais sensivelmente €34.000,00 (trinta e quatro mil euros) para manter em competição federada um total de aproximadamente 100 (cem) atletas, muito pouco se tivermos em consideração que representam quatro freguesias com populações acima dos 2000 (dois mil) habitantes.
Persistem os municípios a ter critérios pouco claros para a cedência de apoios ao associativismo, esquecendo-se que o dinheiro que possuem deverá ser destinado a todos os munícipes e não apenas a alguns, contribuindo assim, para que o associativismo desportivo seja um factor decisivo para a democratização da prática desportiva.
Urge dizer basta, vamos procurar soluções conjuntas para delinear as linhas orientadoras e elaboração da CARTA DO ASSOCIATIVISMO DESPORTIVO DO MARCO DE CANAVESES.
Financeiramente é insustentável a falta de modelo Associativo Desportivo em Marco de Canaveses.
Também é notório que a mentalidade dominante no Concelho é a da subsidio dependência, fruto da inércia e inoperância dos agentes desportivos cujo principal objectivo é o da competição, esquecendo o todo, o bem geral da comunidade.